Dreams are renewable. No matter what our age or condition, there are still untapped possibilities within us and new beauty waiting to be born.

-Dale Turner-

terça-feira, julho 03, 2012

As Quatro Plumas: o Cinza


A noite se segue e o andarilho novamente adormece...

A lua agora estava a pino no céu e as arvores não mais sopravam através de suas cascas o vazio que ecoa dentro das almas aflitas.

Com o brilho lunar ela veio e sobre uma arvore ficou, silenciosa... Compreensiva... Sábia. Seus olhos fitaram-no e seu coração se encheu de compaixão. Sob o brilho lunar radiante e imponente, o andarilho questionou...

Terias tu, Senhora da Noite de prateadas plumas e olhar fraterno a resposta para minha pergunta?

Pergunta sem resposta não posso deixar, mas entendimento correto somente tu podes encontrar. Contudo, guiar-te somente irei se da dor que carregas abandonar e a teu coração permitires adentrar o mundo com novos passos a dar... Do contrario, não prossigas, pois nada além ouvirás.

Perdoa-me Sábia caminhante, mas meu copo encontra-se cheio e não haverá espaço para o novo... Apenas remorso reside.

A luz teus passos revelou, mas relutas em arriscar... Tua resposta esta mais próxima, mas teu medo a obscurece. Não é experiência que lhe falta, mas Motivação.

E assim esta voou para longe e deixou o andarilho a pensar...



                                        
“Uma Coruja veio a mim,
Velha e Sábia,
Trespassou minha Juventude,
Eu aprendi seus modos, invejei seu juízo,
Mas não necessitava de nada que ela tivesse...”


The Crow, the Owl and the Dove - Nightwish

quarta-feira, junho 27, 2012

As Quatro Plumas: o Negro

O que hoje voz trago é algo me passado por vozes já silenciadas pelo tempo e mentes que repousam nos verdes pastos do saber. Dissera-me tal vizir, que um andarilho cuja jornada fora iniciada muitos anos antes da minha chegada, por ali passou e perguntas como as minhas silenciou.

Tal noite sem estrelas se prolongava sobre sua cabeça pesada; logo sob uma arvore ele repousou...

Com a noite ele veio e sobre esta ficou, silencioso... Astuto... Soberano. Seus olhos fitaram-no e seu coração se encheu de orgulho. Sob a manta celeste enegrecida e ausente de estrelas, o andarilho questionou...

Terias tu, Caminhante da Noite de negras plumas e olhar caçador a resposta para minha pergunta?

Questiona-me e te direi, mas aviso-te de antemão que nada além da busca existe para mim. Então se não é um desafio que te move... Não prossigas, pois nada além ouviras.

Perdoa-me Soberano caminhante, mas em minha jornada não há espaço para esperança... Apenas dor reside.

Teu brilho se apagou, mas ainda assim vieste... Buscas a resposta para uma pergunta, mas não sabes qual fazer. Não é coragem que lhe falta, mas experiência.

E assim este voou para longe e deixou o andarilho a pensar...



                              
“Um Corvo voou até mim,
Manteve distância
Tão orgulhosa criação,
Eu vi sua alma, invejei seu orgulho,
Mas não necessitava de nada que ele tivesse...”


The Crow, the Owl and the Dove - Nightwish

sexta-feira, maio 04, 2012

Era Uma Vez No Tempo


Lembro-me como se fosse Ontem...

Quando nos olhamos pela primeira vez e teu sorriso me cativou. Teu jeito impulsivo, impetuoso, esbanjando alto estima e inocência. Nós falamos a mesma língua e ouvimos os mesmo sons...

Lembro-me como se fosse Hoje...

O Sol sobre nós mostrava a esperança vindoura. Teu perfume suave, tua pele sedosa, tuas roupas macias, teu corpo encostado no meu. O aroma de Coffie no ar...

Lembro-me como a poucas Horas...

A Lua prateada iluminando o céu noturno, as aves em silêncio, a rua deserta, o frio a nossa volta, promessas. Tua respiração no meu ouvido, teu coração palpitando junto ao meu, teus lábios... Teus lábios...

Lembro-me como há poucos Segundos...

Meu corpo, meus lençóis, meus pensamentos, tua pele, teus abraços e em um sonho... Teus lábios... Teus lábios.

quarta-feira, maio 02, 2012

O Dia Depois do Ontem


O que foi que eu fiz... Perdão meu irmão por tê-lo feito tanto mal. Minhas ações são destrutivas e por vezes impensadas, devido minha natureza selvagem, mas de forma alguma premeditada. Eu não planejo como sentir, esta muito além da minha alçada, muito além da minha capacidade de raciocínio... Eu não planejo, eu Sinto... E sinto muito.

Vejo hoje tuas ações e imagino que estas poderiam ser evitadas, contidas, barradas, mas ao invés disto eu fui incentivador de tua dor, indiretamente, forçando ao teu ser refletidamente criar uma saída. Uma maneira de fugir, uma maneira de sentir.

Mesmo que eu tenha voltado em minha decisão e visto o quão tolo eu fui a ponto de quebrar minha própria sustentação e com isso tentar remenda-la com velhos e novos sonhos, meu estrago ficou para sempre... Sem poder ser reparado. Estaria eu me condenando demais se dissesse que tudo foi minha culpa, quando não foi, mas sinto-me um dos dedos da mão desde Doutor que meticulosamente juntou estas partes a fim de dá-las, Vida. Uma vida que agora flui através de você... Sujando-o e matando o que um dia me fez te chamar de irmão.

Perdão meu irmão se o machuquei, não fui minha intensão fazê-lo...

domingo, março 11, 2012

Uma Morte Para Uma Paixão

Voar, você me disse... Voar foi o que eu fiz. Tuas mãos foram meu porto seguro, local onde pude repousar e reconfortar minha alma de andarilho, já desgastada pelo tempo. A simples promessa de vida fez-me encher os pulmões de alegria e cantar para os ventos do presente a tua melodia.

Minha chegada foi vista com esperança e zelo, minhas atitudes foram inocentes e puras... Então deitei em tua mão e cochilei. Nos dias que sucederam, fizeste uma casa onde eu pude repousar seguro e sempre próximo, da qual toda manhã vinhas desfrutar de minha canção e sorrias como retribuição. Tudo estava simples.

E ai o inverno veio...

As folhas caíram e o sol se esconde; o frio agora bate a minha porta e busco abrigo de volta para o calor de teu corpo, mas não me reconheces mais... Teus olhos agora já não brilham com a minha música, seu sorriso já não me aquece e suas mãos já não me tocam a pele.

Sozinho, recolho-me no velho abrigo de memorias e sonhos que construímos em um único dia... E nele aguardo atento pela volta do verão, mas este não veio. Minhas asas congelam impossibilitando-me de me mover novamente, meu folego já não é suficiente para um novo voo.

Não há mais o que fazer... Apenas deitar e morrer.

sexta-feira, março 09, 2012

Pout Pourri

A Energia Voltou

Cá estou, depois de um período de curta ausência, talvez nem sentida, mas sem dúvida vivenciada. Retomar de onde parei é sempre um problema, pois as ideias nunca se firmam às suas antecessoras continuando assim o fio de raciocínio, ao invés disto deparo-me com novas e firmes argumentativas que jugam-se sozinhas serem as donas do saber.
Sendo assim, creio que minha promissora rítmica de palavras sucederá a novas vivencias da minha curta vida; portando não mais me prolongarei partindo diretamente ao assunto que me fez vir até as brancas folhas desde programa em busca de alento, e para inicia-lo, convidou a sentar-se ao meu lado e degustar de uma bebida enquanto lhe preencho a mente e “canso” aos teus ouvidos. Um abraço caloroso.

Boiando

Vida. Sou eu teu admirador declarado, teu fã incondicional, teu servo impassível... Teu escravo. Durante meses me pus a tentar compreender-te, mas essa tarefa me escapou aos dedos como um objeto arremessado que tentei segurar por reflexo. Vejo hoje Vida que não posso te dominar da maneira que quero, pois não foste feita para isso, tu é o impulso irracional em direção ao desconhecido que nos seduz e afaga, mas sempre nos mostra o quanto estamos diante do precipício da tua razão fundamental.
Sendo assim permito-me apenas deitar em tuas águas paradas e desfrutar do clima e paisagens a minha volta que passam lentamente enquanto sigo a boiar. Sou um passageiro, não um condutor e isso agora me é tão claro quanto o dia. Encontrarei turbulências em minha viajem, não tenho dúvidas, mas servem elas apenas para aprumar minhas ideias e não para afoga-las. A isso brindarei e com isso me calo novamente.

Apenas Um Rascunho de Mim

Você... É você que tenta inutilmente me entender. Não o faças, poupe-vos desta empreitada, pois o fim nada mais é que cinzas espalhadas. Eu, assim como o vento, sou multável, maleável e indescritível em minha essência, mas voraz se necessário for.
Consumo tudo a minha volta e provo de todos os sabores perdidos e esquecidos, trazendo-os a tona e reavivando suas originais manifestações de arte pura e indómita. Sou a ultima barreira, a porta no fim do corredor a qual todos passam quando deixam a sala. Para uns; Troféu, para outros, Mausoléu... Ambos certos em suas parcelas de afirmativa.
Uma completa e perfeita harmonia do caos. 

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Alto Demais

Certa vez me disseram que a confiança supre a tudo, assim como a fé tudo pode fazer; mas esta pessoa esqueceu-me de dizer que, para se ter é preciso perder... O meu preço foi alto demais.

Como explicar? Talvez palavras não sejam suficientes para isso no momento, mas sem dúvida estas são as únicas verdades que possuo para manter-me São ou pelo menos não cair em Tentação. Tudo acontece de forma rápida, mais do que meus olhos possam ver ou sequer sentir seus efeitos... Seria minha não Lacrimação, uma prova de Frieza? Uma Doença? Ou uma cura para as Dores da Vida? Certamente não demonstrá-la implica que outros acreditem estar diante de uma parede intransponível, mas sincero vos sou quando digo que posso não refletir minha dor... Mas isso não a impede de doer cada vez mais.

Por favor, não tome-as como Suplicas ou Lamentações, mas como um relato comprobatório de que vivenciei este momento e através dele, embora não tenha certeza de seu final completamente inesperado ou não, cujas fantasias já serviram de rico adubo para sonhos firmes e ramificados.

Contudo, lhes asseguro... Posso poda-lo se quiser, a única questão seria... Devo?  

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Passarinheiro

Houve, porém em um remoto tempo, um homem dedicado que amou a vida em sua forma Natural e Pura. De certo, um dia seu vizinho próximo lhe fez uma proposta irrecusável. Deveria ele cuidar de seu pequeno rouxinol, uma vez que este faria uma longa viagem e ninguém mais confiável havia seu olho mirado para cumprir esse pedido. Tal como o dia se põe, ele aceitou e logo um local encontrou para depositar o pequeno animal que jazia abatido e de asas cortadas, magro e desdenhando por sua vida...

O homem insatisfeito com tal situação pensou que talvez o pequeno animal não se sentisse a vontade em locais fechados e logo abrira uma grande porta, onde antes havia uma pequena janela permitindo-o de olhar a vista... E este  lembrou-se  de como enorme o mundo era.

O pássaro olhou... E nada mais fez.

Observando seu estado pensou que talvez o animal estive sem forças e logo pegou de seu melhor alpiste e com todo cuidado o acolheu em suas mãos e grão a grão, pôs em seu bico fazendo-o degustar uma refeição saborosa... E este  lembrou-se  de como era ser cuidado.

O pássaro encolheu-se... E nada mais fez.

Vendo suas feridas o homem o suspendeu  e tratou-lhe com os melhores medicamentos que pôde, atando com bandagens suas patas machucadas, limpando suas penas sujas e aparando suas asas cortadas para que estas viessem a dar lugar a novas e majestosas plumas amendoadas... E este  lembrou-se  como belo poderia ficar.

O pássaro ergueu-se... E nada mais fez.

Satisfeito e saciado o pássaro quis cantar, mas som algum foi proferido. Logo o homem levou-o para fora onde outros como ele faziam suas casas em árvores e lá estando, este cantou baixinho em seu ouvido reensinando-o a cantar... E este  lembrou-se  de como era ter sua voz ouvida por todos.

O pássaro abriu seu bico... E cantou.

Vendo seu triste canto, o homem notou que suas asas já havia se curado e logo este poderia abri-las novamente. Então este o tirou de onde estava e subiu em uma árvore depositando-o em um pequeno galho e no solo ficou para apara-lo... E este lembrou-se  de como era está livre para voar.

O pássaro abriu suas asas... E voou em círculos e em volta do homem.

Logo o dono deste retorna e leva-o embora novamente para longe e o homem se entristece e sua tristeza lhe consome, mas ao amanhecer do novo dia ele ouve o cantar de seu amigo suspenso na varanda de seu vizinho...

Alto, Forte e Vivo... E então seu coração se encheu de orgulho e este lembrou que mesmo longe, ele ainda poderia lhe ouvir cantar Feliz.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

os Esquecidos

Contradição. De outra forma não consigo ver-nos, uma vez que nossas raízes sugerem que a lembrança não seja a maior de nossas virtudes, vejo que esquecer, não faz parte de nossas raízes.

De Limia vieram os primeiros e famílias fizeram aqui em terra mãe tão branda e rica. Logo tomamo-la por um familiar comum, chamando-a de lar. Esta terra de verdes palmeiras onde canta o sabiá é viva e pulsa sua vida de forma desenfreada para aqueles que desejam ver, sentir, tocar...

Fizemos nossa Nação, nossa Casa, nossa Morada, nossa Historia... Seja ela no aço ou no carvão, no sal ou no canavial, hoje somos do norte ao sul filhos da pátria e estrangeiros assumidos, mas jamais esquecidos.



Lima: Sobrenome português classificado como um toponímico, ou seja, tem origem geográfica, deriva de Limia, nome pré-romano (Celta ou Lígure), significaria “esquecimento”.